segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Folha 50 anos - pequenas diferenças

Neste fim de semana li, como sempre, a seção "há 50 anos" do jornal que assino. Faço isso desde criança. Acompanhei a segunda guerra mundial, a Copa de 1950. Mudei de jornal e continuei acompanhando as notícias do passado.
Neste sábado estavam lá as manchetes: sobre Cuba, a revolução em curso, julgamentos e fuzilamentos. Nada que se aprecie especialmente.
Sobre o Brasil, bem, os bailes oferecidos para seus nativos nos Estados Unidos, com grande glamour e luxo.
Isso quer dizer alguma coisa?
Me pareceu que sim.
Vale a pena ler as manchetes do passado.

5 comentários:

  1. Bom Mauricinho, ainda na série a 50 anos (não da Folha), vale a pena ler o livro sobre a viagem de Einstein ao Brasil (ganhei do velho e bom Renato que mora aqui em Laranjeiras) e comenta como era a dita "comunidade científica" brasileira a um pouco mais de 50 anos atrás em comparação com a Argentina, também vale a pena. Quanto ao baile, nem tudo mudou, ou como dira o velho Veríssimo 'ao contrário do que dizem os historiadores, não foi a República que tomou o país durante o baile da Ilha Fiscal, mas sim baile'

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  2. corrigindo, 'mas sim O baile', desculpe sou novo nesse negócio

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  3. Renato de laranjeiras?!? Ele não está em São Francisco.
    De qualquer modo, POliqueta, fico cada vez mais admirado com você: cria dois filhos, é pesquisador do CNPq, professor do Fundão e lê compulsivamente.
    Você dorme vez em quando?

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  4. Claro, o Filipe não disse que '...já que todo mundo mora em Laranjeiras...' Quanto ao seu comentário, vamos lá, Bola do CNPq é um evento raro, fruto de uma produção 'antes' do nascimento do primeiro filho (que você conhece bem), quanto ao dormir.... pergunte a quem 2 ou mais filhos (que tal o Júlio) e verás que dormir é um verbo que sumiu dos nossos dicionários... E mais a mais, eu sou que nem editorialista da Folha, leio a resenha e digo que li o livro.... (brincadeirinha, esse do Renato eu li sim). Alias só nos dois vamos porstar algo neste blog pelo que entendi até agora né ?

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  5. Como só sei postar comentários (nem sei se tenho autorização para postar algo aqui além de comentários) e como este 'post' é sobre a folha aí vai uma reportagem bem interessante - como o Richard Dawkins está 'ajudando' os criacionistas ingleses (é isso mesmo 'ingleses' não 'americanos') eu acho que comentei isso em um almoço com o Bernardo (não tenho certeza), antes que me chamem de carola, eu comentei que o último livro do Dawkins, que é uma cruzada ateísta, poderia mais atrapalhar do que ajudar na difusão da teoria evolutiva - e não é que parece que é o que está acontecendo segundo a reportagem abaixo que saiu na Folha (caderno Mais)
    aí vai:


    Darwin nas mãos de Deus
    Para coordenador da pesquisa, avanço do design inteligente no Reino Unido está ligado ao aumento de imigrantes islâmicos e de igrejas pentecostais de africanos ou afrodescendentes; cruzada ateísta do biólogo Richard Dawkins também é uma das causas

    SYLVIA COLOMBO
    DA REPORTAGEM LOCAL

    Às vésperas do aniversário de 200 anos de nascimento de Charles Darwin (que se comemora na quinta-feira), o cientista que formulou a mais revolucionária explicação sobre os seres vivos, um estudo publicado no Reino Unido revela que seus próprios compatriotas ainda desconfiam dele.
    Segundo a pesquisa "Rescuing Darwin" [Resgatando Darwin], que veio a público na última semana, mais da metade dos britânicos acredita no design inteligente, em detrimento da teoria da evolução. Esta determina que animais, plantas e seres humanos mudam para adaptar-se às condições do ambiente ao longo dos tempos, por meio da seleção natural.
    Realizada pelo Theos, um "think tank" dedicado a temas religiosos, e o Instituto Faraday, de Cambridge, o estudo aponta que aqueles que defendem ou simpatizam com a ideia de criacionismo da Terra Jovem somam 32%. E o design inteligente conta com 51% de adesão -os números não são excludentes, pois referem-se a um questionário múltiplo (leia quadro na pág. ao lado).
    A interpretação desse resultado é considerada difícil pelos próprios organizadores. Nick Spencer, diretor do Theos, considera que há uma imensa "área cinzenta" devido ao fato de as pessoas não conhecerem claramente os significados da teoria darwiniana, do criacionismo e do design inteligente.
    "A urgente necessidade de educação e informação é o que mais impressiona. A confusão e o ceticismo, causados pelo modo como ciência e religião são ensinados, levam as pessoas a dar respostas até mesmo contraditórias de um ponto de vista científico", disse à Folha.

    Dez mil anos atrás
    Feitas as ressalvas, acadêmicos como Denis Alexander, diretor do Instituto Faraday e responsável pela interpretação da pesquisa, consideram que ela traz resultados preocupantes. Principalmente por conta da grande quantidade de pessoas que acham que a Terra foi criada nos últimos 10 mil anos.
    "É desconcertante que, em 2009, existam pessoas que pensam que o mundo tem essa idade por conta de uma leitura da Bíblia, quando toda evidência científica demonstra que isso é errado", diz Denis Alexander, diretor do Instituto Faraday, responsável pela interpretação desses números, à Folha.
    Alexander diz que não pode comprovar de um ponto de vista estatístico, mas tem a impressão de que o criacionismo esteja crescendo consideravelmente no Reino Unido nos últimos anos. E aponta três causas que considera principais.
    As duas primeiras seriam o aumento da população de imigrantes islâmicos e a proliferação de igrejas pentecostais de africanos ou afrodescendentes, grupos em que o criacionismo é muito popular.
    A terceira seria o "desfavor que vêm fazendo à ciência os ditos intelectuais neodarwinistas". Entre eles, o principal culpado seria o também britânico Richard Dawkins, autor de "O Gene Egoísta" e "Deus, um Delírio" (Companhia das Letras), que, por meio das ideias de Darwin, defende o ateísmo.
    "Não é sua intenção, mas ao fazer campanha pró-evolução, Dawkins tem estimulado a ascensão do criacionismo neste país. Sua mensagem, repetida de modo simplório em igrejas, mesquitas e sinagogas, é a de que "a evolução significa ateísmo", ao que os fiéis são levados a responder: "Bem, não aceitamos o ateísmo, então também não apoiamos a evolução"."
    Segundo ele, ao lutar contra algo com violência, Dawkins estaria estimulando um comportamento extremo oposto. "Um fenômeno social muito comum na história das ideias", conclui Alexander.
    James Williams, estudioso de ciência da educação da Universidade de Sussex, concorda. "Dawkins é um intelectual a ser respeitado, mas exagera em suas interpretações. Para ele, se você acredita em algo, isso é suficiente para que você seja considerado um idiota. Elimina a ideia de que evolução e crença em Deus possam andar juntas. Tenta provar que Deus não existe, mas não pode fazer isso. Desse modo, provoca uma reação violenta, que acaba dando força ao criacionismo", diz o pesquisador.
    Para o acadêmico, Darwin, se estivesse vivo, não lutaria ao lado de Dawkins, para desapontamento deste. "Ele o respeitaria pela importância de seus estudos, mas só isso, não concordaria com a violência que está imprimindo ao debate."
    Alexander também reforça essa ideia.
    "Darwin era um cavalheiro educado, ao estilo vitoriano. Deveria ser visto por nós como um exemplo de alguém que teve bom relacionamento com acadêmicos de diversas correntes e credos. É algo que está muito em falta nos dias de hoje. Estou seguro de que ficaria chocado com a brutalidade desse debate teológico. Além disso, esse nem era o centro de seus estudos."

    O caso brasileiro
    O professor de sociologia da USP Antônio Flávio Pierucci acha que no Brasil os resultados de uma pesquisa como essa provavelmente não seriam os mesmos, devido à pouca força que os criacionistas têm aqui.
    "Não dá para ter uma ideia clara, mas vejo uma tendência de simpatia pelo evolucionismo, por exemplo, entre adeptos do espiritismo, que é uma religião muito popular no Brasil. Mas é só uma sensação."
    Pierucci considera assustador o fato de que tantos britânicos acreditem no criacionismo. "As pessoas em geral não entendem como funciona a ciência até que ela tenha um efeito prático em suas vidas. Uma evidência científica funciona apenas para os cientistas", diz.
    Ele concorda com a ideia de que educação e informação permitiriam um melhor entendimento do significado de assuntos como a teoria da evolução, o criacionismo e o design inteligente.
    "Ao ouvir a expressão "design inteligente", a tendência é a pessoa pensar que há por trás um "designer inteligente", a personalizar o processo; é assim que funciona o raciocínio popular desinformado", diz.

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